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sábado, 5 de março de 2016

Dom Henrique Soares da Costa - Meditação para o IV Domingo da Quaresma

Este Domingo hodierno marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “Domingo Laetare”, isto é “Domingo Alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de júbilo na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”.
A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa nos traz! Este tom de júbilo aparece nas flores que são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos do celebrante.

Depois deste Domingo, o tom da Quaresma muda. A partir de amanhã, até a Semana Santa, quase todos os evangelhos da Missa serão de São João. Isto porque o Quarto Evangelho é, todo ele, como um processo entre os judeus e Jesus: os judeus levarão Jesus ao tribunal de Pilatos. Este condená-Lo-á, mas Deus haverá de absolvê-Lo e ressuscitá-Lo!

A partir de amanhã também, a ênfase da Palavra de Deus que ouviremos na Missa da cada dia, deixa de ser a conversão, a penitência, a oração e a esmola, para ser o Cristo no mistério de Sua entrega de amor, de Sua angústia, ante a paixão e morte que se aproximam.

Em todo caso, não esqueçamos: a Quaresma conduz à Páscoa. A primeira leitura da Missa no-lo recorda ao nos falar da chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Deus fiel, que alimentou Israel durante todo o caminho; Deus fiel que conduziu o Seu povo até o seu destino: a Terra da Prometida!

Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de Sua Páscoa! O Deus fiel que conduziu o Seu povo, nos conduz agora, nas estradas do deserto desta vida, rumo à Vida eterna da Glória, na Páscoa definitiva; Ele nunca nos deixará de nos alimentar com Sua Vida divina na santa Eucaristia, maná bendito e vivificante!

Quanto à liturgia da Palavra, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-Lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”.
Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente a Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o Seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus! Sim: é pelos pecadores que o Senhor entregará a Sua preciosa vida; é pelos que se sabem pecadores e pecadores se experimentam que o Senhor veio e morreu e ressuscitou!

Quem é o Pai da parábola? É o Deus de Israel, o Pai de Jesus.
Quem é o filho mais novo? São os pecadores e publicanos. Este filho sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão.
Como ele termina? Longe do Pai, sozinho, humilhado e maltrapilho, sem poder nem mesmo comer lavagem de porcos - recordemos que, para os judeus, os porcos são animais impuros! Mas, no seu pecado, na sua loucura e na sua miséria, esse jovem é sincero e generoso: caiu em si, reconheceu que o Pai é bom (como ele nunca tinha parado para perceber), reconheceu também que era culpado, que fora ingrato... E teve coragem de voltar: confiou no amor do Pai. Cheio de humildade, ele queria ser tratado ao menos como um empregado! Esse moço tem muito a nos ensinar: a capacidade de reconhecer as próprias culpas, a maturidade de não jogar a responsabilidade nos outros, a coragem de arrepender-se, a disposição de voltar, confiando no amor do Pai! Para cada filho que volta assim, o Pai prepara uma festa (a Páscoa) e o novilho cevado (o próprio Cristo, cordeiro de Deus) e um banquete (a Eucaristia) e a melhor veste (a veste alva do Batismo, cuja graça é renovada na Reconciliação).

E o filho mais velho, quem é? São os escribas e fariseus, são os que pensam que estão em ordem com o Pai e não Lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores que os demais e, por isso, merecem a salvação. O filho mais velho nunca amou de verdade o Pai: trabalhou com Ele, nunca saiu do lado Dele, mas fazendo conta de tudo, jamais se sentindo íntimo do Pai, de tudo foi fazendo conta para, um dia, cobrar a fatura: “Eu trabalho para ti a tantos anos, jamais desobedeci qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos” O filho nunca compreendera que tudo quanto era do Pai era seu... porque nunca amara o Pai de verdade: agia de modo legalista, exterior, fazendo conta de tudo... E, agora, rancoroso, não aceitava entrar na festa do Pai, no coração do Pai, no amor do Pai, para festejar com o Pai a vida do irmão! O Pai insiste para que entre... mas, os escribas e os fariseus não quiseram entrar na festa do Pai, que Jesus veio celebrar neste mundo...

Quem somos nós, nesta parábola? Somos o filho mais novo e somos também o mais velho! Somos, às vezes, loucos, como o mais jovem, e duros e egoístas, como o mais velho. Pedimos perdão como o mais novo, e negamos a misericórdia, como o mais velho. Queremos entrar na festa do Pai como o mais novo, e, às vezes, temos raiva da bondade de Deus para com os pecadores, como o mais velho! Convertamo-nos!

São Paulo nos ensinou na Epístola que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com Ele e fez de nós, criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo pediu – e eu vos suplico também: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus O fez pecado por nós, para que Nele nos tornemos justiça de Deus!”

Alegremo-nos, pois! Cuidemos de entrar na Festa do Pai, que Cristo veio trazer: peçamos perdão a Deus, demos perdão aos irmãos! “Como o Senhor vos perdoou e acolheu, perdoai e acolhei vossos irmãos!” Deixemos que Cristo no renove, Ele que é Deus bendito pelos séculos. Amém.
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Fonte: https://www.facebook.com/domhenrique.dacosta/posts/918655814915460

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Padre Matheus Pigozzo: ABORTO MAIS UMA VEZ EM PAUTA

Como é triste ver a humanidade se levantar ferozmente contra si mesma. As manifestações de grupos a favor do aborto e também toda a doutrinação de uma juventude empenhada para promover a morte deveria tirar lágrimas de nossos olhos.

Pensem!


Por fé temos mais luzes pra ver o quanto isso é terrível, mas não se precisa usar dela para enxergar que o aborto não é digno do ser humano...
Vejam! 


Mesmo com o império do relativismo, todos se encolerizam quando algum criminoso tira a vida de alguém, ainda mais se for de uma pessoa trabalhadora, honesta... Ficamos indignado com a impunidade e imaginamos penas duríssimas para o autor do crime...


Padre Matheus Pigozzo: A zika da anticoncepção e o Papa

Caríssimos, depois da última entrevista de sua Santidade choveu confusão e desentendimentos sobre um tema muito importante da moral conjugal e, por fazer parte de meu apostolado e também por ser útil para o esclarecimento de muitos fiéis, tentarei pontuar algumas coisas sobre o tema.

Não faz muito tempo, apesar de parecer por ser uma época tão confusa, aprendi no seminário que existem dois tipos de leis: a divina e a humana. A lei divina, que é imutável, se divide em dois tipos: a natural - os princípios e normas acessíveis a todos os seres humanos inscritos na própria natureza do homem; e, o outro tipo, a lei divina positiva - a normativa que encontramos na revelação divina, aquilo que Deus revelou, pela Sagrada Escritura e Tradição, como lei para o homem.

A lei humana também se divide em dois tipos: a civil, por exemplo, as normas de trânsito; e as eclesiásticas, por exemplo, a cor do traje clerical; estas, nem precisava dizer, são totalmente mutáveis.

Portanto, toda a lei humana para ser justa deve, ao menos, não infligir a lei divina. A lei divina não pode ser alterada por ninguém, ninguém é ninguém mesmo, diferente das leis humanas que podem mudar de acordo com o tempo histórico e com o legislador.

Padre Demétrio Gomes: 25 Homilias, Palestras, Catequeses e Reflexões.















 
 
 
25: O Amor que dá a Vida

24: Os abusos litúrgicos

23: É preciso estar em Deus

22: Um companheiro ao nosso lado

21: Perguntas sobre sexo - Pe. Demétrio Gomes, Padre Paulo Ricardo e Dra. Roberta Castro

20: "Perseverar"

Dom Henrique Soares da Costa: Seleção de 42 Homilias/Palestras/Catequeses/Reflexões.

 
















42: Dom Henrique - A sacralidade da batina
Parte. 1: https://www.youtube.com/watch?v=Dl1ugt7MKWg
Parte. 2: https://www.youtube.com/watch?v=qMDA7a-e5Tw

41: Dom Henrique - O que é a consciência?
(https://www.youtube.com/watch?v=GVQshTNtCCc)

40: Dom Henrique partilha sobre "virtude"
(https://www.youtube.com/watch?v=twsUur3zBZs)

39: D.Henrique - (Como se age com justiça).
(https://www.youtube.com/watch?v=aiofQOsu6ao)

Dom Alberto Taveira Corrêa: Conversa com Meu Povo (23/02/16)

Fonte: TV Nazaré

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Dom José Francisco Falcão de Barros: A Igreja e a Salvação!

Parte 1: (Aqui)
22 minutos
Parte 2: (Aqui)
21 minutos
Parte 3: (Aqui)
20 minutos
Parte 4: (Aqui)
18 minutos
Parte 5: (Aqui)
16 minutos 

Assista aos vídeos:

Parte 1
Parte 2
 Parte3
 Parte 4
 Parte 5 - Final
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Fonte: Católicos voltem para casa

Dom José Francisco Falcão de Barros: Formação básica para todo católico conhecer e defender a fé! (35 Aulas)

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Aula 35: Estrutura, elementos e partes da Missa X (Última)
(https://www.youtube.com/watch?v=PZ6DdCihNjs)

Aula 34: Estrutura, elementos e partes da Missa IX
(https://www.youtube.com/watch?v=HBWgDkLoX-c)

Aula 33: Estrutura, elementos e partes da Missa VIII
(https://www.youtube.com/watch?v=CLUW0uYAZm4)

Aula 32: Estrutura, elementos e partes da Missa VII
(https://www.youtube.com/watch?v=68a2TfT3nV8)

Aula 31: Estrutura, elementos e partes da Missa VI
(https://www.youtube.com/watch?v=zlQ_9JdGjmg)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Salve Maria!!!!

Aqueles que dizem Amar tanto a Bíblia e se guiarem somente por ela, podem ser julgados mais severamente pelo próprio Verbo Divino e Deus Eterno, porque são capazes de carregá-lá debaixo do braço enquanto pisam na honra daquela em cujas entranhas, do corpo e da Alma, o mesmo Verbo Divino Se fez Carne de sua carne e Sangue de seu Sangue. Ora,a Palavra de Deus é Santa e registrada em papéis, enquanto o Verbo é Espírito e Vida registrado no AMOR e no Testemunho Vivo e Atuante da Santíssima Virgem.
 

"A palavra mata, o Espírito Vivifica".

A Palavra se faz depender da interpretação correta, enquanto o Verbo é a Verdade pronta e incontestável.

Rasgando o papel a palavra se esvai...se não ficou gravada na Alma
Ultrajado Maria,o próprio Verbo a defende com a Justiça e a Verdade que Ele É.


Maria Santíssima é o Livro Vivo em cujas células e fibras eternas, está impresso indelével o Verbo Eterno.
" Já não vivo, mas Cristo viver em mim".

Alzira Fátima - 18/02/2016
D. Antônio de Almeida Morais Júnior: A Igreja Católica Romana apresenta a fisionomia da mais intangível unidade.

A unidade da Igreja vem da própria essência da verdade. A verdade é essencialmente una. A sua realidade necessariamente impõe a adesão da nossa inteligência e do nosso coração. Os princípios ontológicos da nossa razão impõem a permanência da unidade da verdade, em qualquer terreno em que ela se situe. Por isso mesmo, a verdade foge ao relativismo e à dependência. É ela independente do tempo, do espaço e dos homens. Pois, na realidade, a que se reduziria, se ela devesse submeter-se ao capricho dos homens, às modificações dos momentos históricos ou dos lugares do espaço?
 
É por isso que a verdade não é uma criação da inteligência do homem. Os olhos humanos podem divisar astros na amplidão dos espaços, por si sós ou com o auxílio poderoso dos telescópios; não podem, porém, criá-los nos espaços vazios. Também a mente humana traz, em si, a capacidade para apreender a verdade, mas não pode criar a verdade.
 
Nem Deus cria a verdade, sendo Ele a Verdade Eterna, Infinita, Absoluta. A densidade metafísica do seu ser é a realidade absoluta e, por isso mesmo, a verdade absoluta. Deus manifesta a verdade. Foi por isso que Jesus Cristo não disse: eu sou o pregador da verdade, mas afirmou: "Eu Sou a Verdade". A própria verdade científica que é aquisição humana (não criação do homem, porém mera descoberta do homem) , exige essa unidade intangível, sem o que seria impossível a existência da ciência. A multiplicidade aparente da verdade científica existe enquanto os homens tateiam o terreno das hipóteses. Quando, porém, eles conseguem romper as camadas movediças das hipóteses e tocar a rocha eterna da verdade, a unidade se impõe com uma soberania absoluta.
 
Nem seria possível construir a ciência sem esse postulado essencial da unidade. Donde se depreende como a verdade religiosa, revelada por Deus, deve exigir essa profunda unidade. Já não se trata apenas desta ou daquela opinião de como se deve prestar à Deus um culto, mas da revelação do próprio Deus, ditando, diretamente ou pelos seus enviados, o modo pelo qual quer ser cultuado pelos homens.
 
Deste modo, ninguém pode presumir tenha o direito de escolher a doutrina religiosa, a seu capricho, para servir a Deus.
 
Só uma religião revestida de todas as garantias sobrenaturais da revelação pode seguramente impor ao homem o verdadeiro caminho a seguir.
 
É coisa tão natural ao nosso espírito, à nossa inteligência, que jamais poderíamos imaginar que a verdadeira religião não implicasse a falsidade de todas as outras. Só uma religião pode ser verdadeira e só é verdadeira aquela que conserva, através dos séculos e dos espaços, a mais perfeita unidade doutrinária.
 
Sob esse aspecto, a Igreja Católica Romana apresenta a fisionomia da mais intangível unidade. Nós que nos acostumamos a contemplar as instituições simplesmente humanas no desenrolar dos séculos, sabemos que jamais puderam conservar essa nota dominante. Até mesmo esse sinal da precariedade das coisas dos homens deveria servir como índice evidente para distinguirmos o que é humano do que é divino.
A história aí está para testemunhar a eterna versatilidade das coisas humanas. [...]
 
Recife, 1º. de fevereiro de 1958. 
†Antônio, Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife.
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Fonte: Prefácio do Livro «Legítima Interpretação da Bíblia, Lúcio Navarro - 1958» (Alexandria Católica)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

     Cardeal Joseph Ratzinger: A Obediência a Igreja
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Resumo

No conflito do cenário mundial atual entre fé e obediência o, então Cardeal Ratzinger (Bento XVI), em um pronunciamento datado do ano de 1988, já parecia aludir de certa forma a crise que se instalaria no cristianismo um pouco mais tarde, com uma força surpreendente e aparentemente sem precedentes. Em seu discurso poder-se-á mais uma vez tomar consciência donde vem algumas armadilhas e de como conseguir combate-las, mas principalmente de como manter nosso principal poder intacto: A Esperança.

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Por: Joseph Ratzinger (Bento XVI)
(Janeiro de 1988)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
NOTIFICAÇÃO SOBRE O LIVRO «IGREJA: CARISMA E PODER. ENSAIOS DE ECLESIOLOGIA MILITANTE» DE FREI LEONARDO BOFF, O.F.M.
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INTRODUÇÃO

No dia 12 de fevereiro de 1982, Frei Leonardo Boff, OFM, tomou a iniciativa de enviar à Congregação para a Doutrina da Fé a resposta que deu à Comissão arquidiocesana para a Doutrina da Fé do Rio de Janeiro, que criticara o seu livro « Igreja: Carisma e Poder » (Editora Vozes - Petrópolis, RJ, Brasil, 1981). Declarava que aquela crítica continha graves erros de leitura e de interpretação.

A Congregação, após ter estudado o livro nos seus aspectos doutrinais e pastorais, expôs ao Autor, numa carta de 15 de maio de 1984, algumas reservas, convidando-o a aceitá-las e oferecendo-lhe, ao mesmo tempo, a possibilidade de um diálogo de esclarecimento. Tendo porém em vista a repercussão que o livro estava tendo entre os fiéis, a Congregação informou L. Boff de que, em qualquer hipótese, a carta seria publicada, levando eventualmente em consideração a posição que ele viesse a tomar por occasião do diálogo.

No dia 7 de setembro de 1984, L. Boff foi recebido pelo Cardeal Prefeito da Congregação, acompanhado pelo Mons. Jorge Mejía, na qualidade de Secretário. Foram objeto do colóquio alguns problemas eclesiológicos surgidos da leitura do livro « Igreja: Carisma e Poder » e assinalados na carta de 15 de maio de 1984. A conversa, que se desenvolveu num clima fraterno, proporcionou ao Autor ocasião de expor seus esclarecimentos pessoais, que ele quis também entregar por escrito. Tudo isto foi explicado num comunicado final publicado e redigido de comum acordo com L. Boff. Concluído o diálogo, foram recebidos pelo Cardeal Prefeito, em outra sala, os Eminentíssimos Cardeais Aloísio Lorscheider e Paulo Evaristo Arns, que se encontravam em Roma para esta oportunidade.

OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS
Dom José Francisco Rezende Dias, Arcebispo Metropolitano de Niterói (RJ).
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A civilização se ergueu ao lado de rios. Ela acompanhou a corrente dos rios. Quantos nomes nós aprendemos ao longo do ensino fundamental! O Tigre, o Eufrates, o Ganges… Muito mais do que à geografia, eles pertencem à história. Cada um deles conta histórias. Cada um deles construiu a História.

Imagine que o Tigre e o Eufrates viram Abraão passar por ali, o Nilo transportou o cesto de Moisés, o Jordão batizou Jesus. É a História! Imagine se pudéssemos ouvir do rio Paraíba como foi e o que ele sentiu quando a imagem da Virgem emergiu na rede dos pescadores. É a História da fé!


Muito mais do que águas, os rios transportam histórias, banham histórias, edificam histórias.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DICAS SOBRE O JEJUM E A ABSTINÊNCIA QUARESMAIS
Pe. Thiago Palialogo, Sacerdote da Diocese de São Carlos (SP).
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1. Jejum


São dois os dias de jejum quaresmal: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa.

Estão obrigados ao jejum todos os maiores de idade até os 59 anos (depois disso, o jejum é recomendável, mas não obrigatório). Obviamente, os doentes e gestantes estão dispensados.
O jejum eclesiástico, porém, é fácil é muito tolerável. Consiste em fazer duas refeições, uma completa e outra pela metade. Por exemplo, se alguém quiser almoçar na quantidade habitual, que jante a metade daquilo que costumeiramente toma.

Se a pessoa quiser, pode ainda diminuir um pouco uma destas refeições e tomar um parco cafezinho pela manhã.

2. Abstinência

Todos os maiores de 14 anos estão obrigados a abster-se de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.

A abstinência de carne abrange todos os tipos de carne: bovina, suína e também a carne de frango. Não se trata de abstinência de "carne vermelha", mas de qualquer tipo de carne.
Permite-se neste dia o consumo de ovos, peixe e queijo. Mas recomenda-se vivamente aos fiéis que não gastem dinheiro com peixes caros, pois não se observaria a austeridade própria de um dia de abstinência.

3. Penitência nas Sextas-feiras da Quaresma

Todas as sextas-feiras do ano, com exceção daquelas que coincidem com festas e solenidades litúrgicas, são dias de penitência. Contudo, o são especialmente as sextas-feiras da Quaresma.

A Igreja preceitua nestes dias a "abstinência de carne". Porém, no Brasil, nossa Conferência Episcopal determinou que esta penitência pode ser substituída por qualquer outra obra de misericórdia, em todas as sextas-feiras do ano (com exceção da Sexta-feira Santa).
Portanto, caso o fiel não consiga abster-se de carne nas sextas-feiras da Quaresma, deve fazer alguma outra obra de piedade: como uma pequena mortificação, esmola, sacrifício, oração por terceiros, enfim, o que for possível. Não deixe, porém, de marcar este dia com alguma privação.

4. Penitência quaresmal

Os quarenta dias da Quaresma são dias penitenciais, e nós devemos nos sacrificar em algum pequeno ponto.

Seria muito interessante que todos tivéssemos algo de que nos privarmos nestas semanas, como sinal de autodomínio e de que damos o controle de nossa vida unicamente a Deus.
Escolha uma penitência que lhe acompanhe dia-a-dia na Quaresma. Certamente, isto lhe ajudará a ser mais constante e disciplinado, como convém a um filho de Deus.

Santa Quaresma a todos!!!
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O SIGNIFICADO DAS CINZAS:

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam o luto, a mortalidade e a penitência. No livro de Ester, Mardoqueu pôs-se de saco e cinzas quando soube do decreto do Rei Assuero da Pérsia para matar todos os judeus no Império Persa (Est 4,1). Jó arrependeu-se com pano de saco e cinza (Jó 42,6). Daniel, profetizando os 70 anos de cativeiro babilônico: “Voltei-me para o Senhor Deus, pedindo em oração fervorosa, com jejum, pano de saco e cinza” (Dn 9,3). Às pregações de Jonas, a cidade de Nínive proclamou um jejum, e vestiram-se de saco, inclusive o rei que, além de se vestir de saco, sentou-se nas cinzas (Jon 3,5-6). Jesus também fala das cinzas, referindo-se às cidades que se recusaram a arrepender-se dos pecados (Mt 11,21).

A Igreja primitiva continuou a utilização de cinzas, pelas mesmas razões simbólicas. Tertuliano (160-220 d. C.) prescrevia que o penitente deve “viver sem alegria na rugosidade de pano de saco e coberto de cinzas.” Eusébio (260-340), o famoso historiador Igreja primitiva, contou em sua A História da Igreja como um apóstata chamado Natalis veio ao Papa Zeferino vestido de saco e cinzas, implorando perdão. Também durante esta época, para aqueles que foram obrigados a fazer penitência pública, o padre polvilhava cinzas sobre a cabeça da pessoa após deixar a confissão.

Na Idade Média (séc VIII), aqueles que estavam prestes a morrer eram colocados no chão em cima do saco polvilhado com cinzas. O sacerdote abençoava a pessoa que estava morrendo com água benta, dizendo: “Lembra-te que és pó e ao pó tu hás de retornar.”


Depois, o uso de cinzas foi adaptado para marcar o início da Quaresma. Elas são preparadas pela queima de palmas usadas na procissão de Ramos do ano anterior. Lembram o Cristo vitorioso sobre a morte. A palma é símbolo de vitória e de triunfo. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte dos fiéis, fazendo o sinal da cruz e dizendo: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”, ou “convertei-vos e crede no Evangelho”. Esse gesto traz a fugacidade da vida, assim nos arrependemos de nossos pecados e voltamos o nosso coração ao Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou para a nossa salvação. Renovamos as promessas feitas em nosso batismo, quando morremos de uma vida velha e ressurgimos para uma nova vida em Cristo. Finalmente, conscientes de que este mundo passará, nos esforçamos para construir o Reino de Deus agora, ansiosos para o seu cumprimento pleno no céu.

Que esta quarta-feira de cinzas nos encha do Espírito de Deus e que, pela oração, caridade e jejum nos aproximemos mais do Senhor e das pessoas que sofrem. BOM TEMPO QUARESMAL.

Pe. Amilton Manoel da Silva
Sacerdote da Congregação Passionista
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Fonte original: https://www.facebook.com/amilton.manoeldasilva/posts/10207355842507587

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Igreja nas Sagradas Escrituras - III 
Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE). 
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Tema 3: A Igreja una, santa, católica e apostólica 

            Veremos, agora, com a ajuda da Sagrada Escritura, as quatro propriedades que a teologia sempre viu presentes na Igreja. 

a) A Igreja é una 

            A Igreja de Cristo é una e não poderia deixar de sê-lo:
۰ una, porque brota do Deus que é trino na unidade perfeita e é a realização na história e no mundo do seu único plano de amor e salvação:
 
Há diversidade de dons mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades mas um mesmo é Deus que realiza todas as coisas em todos (1Cor 12,4ss). 
۰ una, porque um só é o seu Fundador, que sonhou com sua Igreja como o único rebanho (cf. Jo 10,16), seu único corpo (cf. 1Cor 12,12s); o único templo pleno do seu Espírito, do qual ele mesmo, Cristo, é a pedra angular (cf. Ef 2,20s).
۰ una, porque a missão de Cristo Jesus era congregar na unidade os filhos de Deus dispersos: 
Jesus iria morrer... para congregar na unidade os filhos de Deus dispersos (Jo 11,52). 
O Filho Jesus veio para 
criar em si mesmo um só Homem Novo (Ef 2,15). 
Por isso, de modo comovente, o Senhor Jesus rezou pela unidade de sua Igreja e deu-lhe esta unidade como dom irrevogável:
A Igreja nas Sagradas Escrituras - Parte 2

Tema 2: A Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito 
Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE).
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a) A Igreja enraizada no Deus uno e trino 


            Já vimos que a Igreja sempre esteve no plano de Deus; vimos também que ela começou a existir na Páscoa do Senhor Jesus: ela vive do Espírito Santo que o Cristo, enviado do Pai derramou sobre ela. A Igreja vive, portanto, na Trindade Santa. Ela não é uma simples reunião nascida da vontade humana nem da boa vontade de seus membros: a Santa Trindade é a vida da Igreja: 

Há diversidade de dons mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades mas um mesmo é Deus que realiza todas as coisas em todos (1Cor 12,4ss).

Há um só Corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados por vossa vocação para uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, por todos e em todos (Ef 4,4ss). 

Cada divina Pessoa da Santa Trindade tem uma relação própria com a Igreja, dando-lhe a mesma vida divina que salva de um modo peculiar a cada Pessoa da Trindade: o Pai (um só Deus) é a fonte de toda a Vida; o Filho (um só Senhor) é o mediador desta Vida; o Espírito é a própria Vida! Esta realidade impressionante aparece de modo muito claro e profundo na idéia da Igreja como Povo de Deus Pai, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. 

 
b) A Igreja, Povo de Deus Pai 
A Igreja nas Sagradas Escrituras - I
Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE).
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Caro(a) Internauta, ofereço-lhe este Curso sobre a Igreja. Procurei o máximo possível limitar minha apresentação às Sagradas Escrituras. Certamente, seria muito mais rico se tivesse citado os Concílios, os textos do Magistério e da grande Tradição teológica e dogmática da Igreja. Mas, por opção, para deixar bem assentado o quanto a fé católica fundamenta-se na Escritura e dela não se afasta nunca, segui este caminho. Queira Deus que lhe sirva e o(a) faça conhecer e amar ainda mais a Mãe católica, que nos gerou a todos para o Cristo.
 
Neste texto, apresento a primeira parte do Curso. Outras virão depois.

 

Tema 1: A fundação da Igreja 


a) Igreja: uma palavra, um significado, três realizações 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Ainda sobre o carnaval, o último artigo deste ano falando sobre o carnaval!
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Perdoem-me os Sacerdote que tentam dar uma amenizada na gravidade dos pecados do carnaval para torná-lo, quem sabe, um pouco digno de nossa presença cristã, mas, com todo o respeito e amor eu fico com o exemplo e os riquíssimos conselhos e ensinamentos dos Santos que já estão no Céu e que, mais do que ninguém conheceram, trilharam e alcançaram a Salvação e hoje são luz que ajudam a iluminar nossas mentes, nos indicam a vida que devemos levar como cristãos católicos para que, também nós, alcancemos o Céu e nos encontremos com Deus e com eles. Os Santos são nossos exemplos. Não falarei quase nada aqui sobre o carnaval com minhas palavras, mas com as palavras dos Santos e, lembremos: A Igreja tem Dois Mil Anos, Ela não é uma Igreja em inicio de caminhada que está em aperfeiçoamento doutrinário, Ela tem uma Doutrina, milhares e milhares de exemplos nos altares e, uma vasta Patrística, Escolástica entre outros estudos, inclusive recentes que, devem ser estudados também:

Santa Faustina Kowalska diz: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista” (Diário, 926).

São Francisco de Sales dizia: "Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus sacramentado, ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas."

São Vicente Ferrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”.

Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações).

Santa Teresa dos Andes escreve: “Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado...” (Carta 162).

Santo Agostinho: “Senhor, faze-me sentir toda a tua dor e todo o amor que experimentaste na tua paixão: toda a dor, para que eu aceite toda a minha dor neste mundo; e todo o amor para que eu recuse todo amor mundano”.

(Fonte das frases: Pe. Divino Antônio Lopes FP. “Carnaval: Vômito e esterco de satanás”)

- E para finalizar, o que nos diz a Sã Doutrina sobre tais eventos que expõe a visão do fiel toda a espécie de imoralidade carnal? Eis o que diz o nosso Catecismo:

«§2525. A pureza cristã exige uma purificação do ambiente social. Exige dos meios de comunicação social uma informação preocupada com o respeito e o recato. A pureza de coração liberta do erotismo difuso e afasta dos espetáculos que favorecem a curiosidade mórbida e a ilusão.(fonte: Catecismo online do Vaticano)»

- Repito o que já disse a uns dias atrás:

[...] não estamos em tempos que nos permitam o privilégio de nos expormos aos perigos do mundo, pois provavelmente a vontade da carne falará mais alto, não somos santos, ainda caminhamos em busca da santidade. Não adianta muita coisa falar em consciência cristã, sejamos honestos, na hora do "gostoso" diante das belíssimas propostas do pecado, eu, você e qualquer um corre gigantescos riscos de cair, não nos iludamos, é preciso fugir do pecado se quisermos de fato vencê-lo: «A batalha contra o pecado é a única batalha na qual vence aquele que foge. (São Felipe Neri)»

- Ainda falando o sobre o grandioso Santo Afonso de Ligório, ele em um de seus sermões no ensinava e hoje precisamos prestar mais a atenção nesses conselhos santos:

Misericórdia e justiça divinas: infinitas

"Santo Agostinho observa que, para enganar os homens, o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança.

Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões....

"Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado!, diz São João Crisóstomo, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste....

"'Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei'. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!....

"Nosso Senhor, aparecendo um dia a Santa Brígida, queixou-Se: Eu sou justo e misericordioso, mas os pecadores não querem ver senão minha misericórdia (Ego sum justos et misericors; peccatores tantum misericordem me existimant - Rev. 1. I. c. 5). Não duvideis, diz São Basílio, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo.... Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!".

(Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imprimeur-Éditeur, Roulers, pp. 55-60).

- Ainda falando mais um pouco sobre os conselhos de Santo Afonso de Ligório, dizia ele ainda sobre se expor ao pecado:

"Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!"

O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado. [...] S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. [...]

"Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo."

(Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

Nos preparemos espiritualmente para a Quaresma com muita oração, meditação, confissão e indo a Santa Missa ao menos todos os Domingos!

E mais uma vez perdão por discordar da maioria, antes de alguém pensar de desferir uma "condenação" contra a minha pessoa, lembrem-se que eu apenas citei os Santos que são os exemplos de todos nós cristãos: «Fazer a vontade de Deus é fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz. (Santo Afonso de Ligório)»

Muito mais teria a escrever sobre o que ensinou Santo Afonso e outros Santos e Santas da Igreja de Cristo, mas, se com isto aqui, talvez, muitos estejam até se revoltando contra os Santos, imagine se conhecerem tudo o que os Santos ensinaram contra o pecado... Então, já está de bom tamanho o que aqui foi exposto, ao menos para deixar claro que, repudiar o carnaval -e qualquer outro evento pecaminoso- não vai contra a Doutrina da Igreja, a menos que consideremos que estes Santos desobedeceram a Igreja com esses ensinamentos/conselhos.

Rezemos por todas as almas, pedindo a Deus que perdoe a nossa fraqueza humana, que perdoe a nossa teimosia, que perdoe a triste cegueira que o pecado ainda nos causa.
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Thiago A. Borges de Azevedo
Domingo, 07 / 02 / 2016
Blog Cavaleiros da Santa Mãe Igreja.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maria é Mãe de Deus


Se perguntarmos a alguém se ele e filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou; sendo minha alma e espírito dados por Deus. E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe?

Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nosso mãe também o faz. O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mae da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus.

Basta um pequeno raciocínio para reconhecer como necessária a maternidade Divina da Santíssima Virgem. Nosso Senhor morreu como homem na Cruz (pois Deus não morre), mas nos redimiu como Deus, pelos seus méritos infinitos. Ora, a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Santa Mãe, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano.

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, uma negação ao ensino dos Apóstolos de Cristo.

Provas da Sagrada Escritura

A Igreja Católica sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia.

Vejamos o que a Sagrada Escritura ensina sobre a Maternidade Divina de Nossa Senhora:
  1. O profeta Isaías escreveu: "Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]." (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus.
  2. O Arcanjo Gabriel disse: "O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele tb é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14.
  3. Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: "Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo"? (Lc 1,43) E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus..
  4. São Paulo ainda escreveu: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei." (Gl. 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus.

Tendo a Sagrada Escritura seu berço na Igreja - portanto sendo menor que Ela - , vemos como está de acordo com o ensino da mesma.

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, é negar a Divindade de Cristo, é negar o ensino dos Apóstolos de Cristo.

O Concílio Ecumênico de Éfeso

Quando o heresiarca Ario divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundí-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho para suplantar o herege Pelágio, e São Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a pertubação e a indignação no Oriente.

Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por São Cirilo e condenou-a anti-católica, herética.

São Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito.

Pode-se resumi-la em três pontos:
  1. Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus;
  2. A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Crito, que é Deus;
  3. Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é; denominações, propriedades e ações das duas naturazas em Jesus Cristo, que podem ser atribuidas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou.

Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o Concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo.

Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. São Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante aos bispos unidos.

Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o Santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios.

Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânime e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla.

Quando a multidão anciosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria Mãe de Deus, num imenso brado ecoou a exclamação: "Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!"

Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte".

Fonte:http://www.veritatis.com.br/apologetica/maria-santissima/529-santa-maria-mae-de-deus